quarta-feira, 16 de março de 2011

Idios Thelesis - Dom Felismar Manoel


Duque de Caxias (RJ), 10 de março de 2011

 - Idios Thelesis I -
Caríssimos Irmãos Clérigos e Religiosos. Graça e paz da parte de Deus pela comunhão e salvação que há em Jesus Cristo!

Jesus Cristo nos convida com as palavras “vinde a mim os cansados e oprimidos”; “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”; “carregai os fardos uns dos outros”; e todo um plano para a construção do Reino de Deus na terra, quando profere as Bem Aventuranças em seu Santo Evangelho.
As orientações para o bem e para o aperfeiçoamento dos seres humanos são fartamente percebidas  pelos seres de boa vontade. Entretanto o nosso mundo continua pleno de humanos imperfeitos que frequentam os diferentes templos cristãos. Isto ocorre desde o inicio da implantação da Igreja Cristã.  A ascese foi adotada muitas vezes como disciplina para domar o corpo, como se ele fosse culpado pelos nossos pecados e imperfeições. No passado muitos fugiram para os ermos, para viver na solidão em busca dessa experiência pessoal com o divino; outros se enclausuraram entre as paredes dos conventos e mosteiros, buscando fugir do mundo ameaçador. - Jesus Cristo, no evangelho segundo João, faz uma comovente oração ao Pai pedindo pelos apóstolos, discípulos e por nós atuais, que nos mantivéssemos no mundo (onde devemos ser a luz do mundo, o sal da terra e o fermento na massa), sem sermos do mundo entretanto. – Sabemos ser esta missão uma tarefa difícil, pois no mundo existem os homens com seus corações endurecidos, no mundo existem os filhos das trevas com suas astúcias e perversidades, e muitas das vezes nos corrompemos, nos tornamos tolerantes e promíscuos, nos prostituimos ideológicamente, políticamente, deixamos nos seduzir pelos ídolos, sejam eles devocionais, midiáticos, de poderio financeiro, ou coisas equivalentes, e com isso nos distanciamos da simplicidade do ideal apontado por Jesus, o meigo nazareno que se manifestou como o Cristo de Deus.
Certa vez Jesus Cristo disse a um jovem que buscava o caminho da perfeição espiritual: “se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tem e dá aos pobres, e depois vem, toma a sua cruz de cada dia e segue-me”. Tarefa difícil para aquele jovem, posto que ele era muito rico. Não sabemos ao certo se ele atendeu ao convite de Jesus Cristo, mas sabemos que muitos, após ele, atenderam a esse chamado e ainda atendem nos dias de hoje.
Ao  longo do tempo, a Igreja em suas diferentes  “famílias espirituais”, criou algumas disciplinas para facilitar o encaminhamento dos homens e mulheres em sua trajetórias como religiosos:        
 os solteiros e os casados eram igualmente admitidos na vida religiosa e no ministério eclesial;  os casados geralmente assumiam as comunidades paroquiais, enquanto os solteiros eram enviados em missões; as mulheres participavam do ministério eclesial nas funções diaconais; quando havia um bispo casado e deveria ordenar sua esposa como diaconisa, buscava-se um outro bispo para fazer a imposição de mãos, por causa do vínculo parental que se estabelece entre o bispo ordenante e a nova diaconisa, evitando-se o tabu do incesto; na Igreja havia os mestres de ensino, os profetas, os terapeutas, que cuidavam das catequeses mistagógicas, das oratórias denunciadoras de êrros e do apontar de seguros caminhos, bem como do tratamento das pessoas que encontravam dificuldades em sua caminhada espiritual.
O Catolicismo Evangélico Salomonita oferece toda essa riqueza deixada pelo Cristo de Deus, entretanto, também ele tem seus ministros fracos, imperfeitos, vacilantes, resistentes, etc. Mas o ministério da Graça de Deus em Cristo resgata esse pecador, se ele se apropria do plano de salvação que Cristo oferece. Ele não pode ser resistente, é preciso usar a sua vontade para fazer a escolha, e se converter a cada dia dos seus êrros, pecados e imperfeições e buscar, em disciplina e oração, a regeneração que o Espírito Santo de Deus opera em nossas vidas, enviado pelo Pai através do Filho e capaz de renovar a face da terra.
Um dos meios eficientes para a busca e manutenção dessa consagração pessoal, é a organização da Igreja em Células, como parte da Igreja Local, Comunidade de adoradores, que aos domingos se reunem no templo da Igreja Local para a adoração, o estudo da palavra de Deus, a celebração da comunhão que há entre Deus e os irmãos em Cristo, como Povo de Deus que caminha para a Pátria Celestial. Durante a semana essas células se reunem sob a liderança de um Zelador Espiritual na casa de irmãos para estreitarem os laços de experiência pessoal com Deus, através das  diferentes Confrarias, Congregações, Apostolados, ou outras formas. Esta foi uma experiência rica do Catolicismo Evangélico Salomonita em sua fase pré-romana, tanto em São Paulo, como no Rio de Janeiro. A fase pró-romana foi a experiência do esvasiamento, da dor, da desilução, do empobrecimento espiritual e do lastreamento da indisciplina, com a implantação do sacramentalismo, da ausência de diretrizes pastorais, da exacerbação das vestes nobiliárquicas e do comprometimento das práticas populares supersticiosas ou idolátricas.
Assumimos um compromisso com a fase salomonita pré-romana, sejamos fiéis a esse compromisso e saiamos ao encontro do Cristo de Deus que nos fala  “quem comigo não ajunta, espalha”; ouçamos a afirmação do apóstolo que diz “se alguém está com Cristo, nova creatura é, pois as coisas velhas já passaram, e o homem novo surge buscando como modelo a estatura do Cristo”.
Não tenhamos medo, pois a graça de Cristo nos socorre se formos sinceros em nossa busca e fiéis aos compromissos assumidos. Existe no mundo espiritual cristão um Banco da Misericórdia Divina, que disponibiliza para nós as Graças, na medida que dela carecemos e que nos colocamos em condições de rebê-las. Elas fazem parte dos tesouros meritórios do Cristo de Deus e se disponibilizam pelos Serviços da Igreja Cristã, pois a Igreja é o Hospital dos Pecadores, que manifesta o Cristo no Mundo Todos os Dias, até a consumação dos séculos.
Que Deus nos abençôe em sua misericórdia.
Dom Felismar Manoel – Bispo Primaz

Epistola do Arcebispo Dom Felismar


Aos irmãos de boa vontade, que verdadeiramente desejam fazer parte da IGREJA DE CRISTO,  conforme o senso pastoral do Venerável Bispo Salomão Ferraz, consagrados no Ministério legítimo da ICAI-TS, consubstanciados nos ensinamentos do Evangelho de Jesus Cristo.



Desde aquele memorável dia em que Jesus, o Cristo do Deus Vivo, celebrou com seus discípulos o Ritual da Páscoa e instituiu a Sagrada Ordenança da Eucaristia  por ocasião da Santa Ceia, estamos neste ano de 2011 comemorando o 1983º aniversário de cumprimento dessa Sagrada Ordenança na Igreja Cristã, através do Hemerológio Cristão, tradição cultural que facilita o nosso movimento pessoal, social e coletivo de exercitar-nos na reforma íntima pró discipulado, usando Jesus Cristo como modelo e os textos  bíblicos, principalmente os do novo testamento, como fontes de ensinamentos.
No Hemerológio Cristão estamos  vivenciando liturgicamente o tempo do Catartério Penitencial, também denominado  “domingos das cinzas”,  e que corresponde às sete semanas que antecedem a Semana Santa, quando iremos celebrar a presença do Cristo Eficaz em nossas vidas.
O objetivo da  Liturgia é oferecer condições para o vivenciamento dos Mistérios Cristãos, atualizando-os na vida dos crentes fiéis, de modo renovado a cada ciclo anual. Possibilita assim, o nosso perene processo de conversão pessoal,  de exercício de autoconfrontação para o esforço de corrigir nossos defeitos, imperfeições e pecados em busca da reforma íntima para o discipulado cristão. Os Evangelhos trazem ricas e diretas admoestações  sobre os ensinamentos propostos por Jesus Cristo para aqueles que desejam seguí-lo, bem  como as Cartas dos Apóstolos que se esforçam por reproduzirem para os crentes fiéis os ensinamentos transmitidos  por Jesus Cristo.

Falamos com certo orgulho de nossas Tradições Evangélicas Cristãs Salomonianas, e isto se torna legítimo quando quer afirmar  o nosso Carisma Denominacional, pois é ele  que nos constitui como Familia Espiritual dentro da Igreja Cristã. Às vezes nos queixamos da falta de respeito e reconhecimento por parte das Igrejas Tradicionalmente constituídas. Mas será verdadeira a nossa adesão ao carisma denominacional do Catolicismo Evangélico Salomonita?
Será verdadeira a nossa adesão às proposituras tão ciosamente elaboradas pelo Venerável Bispo Salomão Ferraz e mantidas pelo Venerável Bispo Manoel Ceia Laranjeira?
Temos  levados os membros das nossas congregações a tomarem consciência de que Cristo constrói sua Igreja no coração do crente fiel, mediante a sua firme convicção de que Jesus Cristo é o Filho do Deus Vivo, como o fizeram no passado Pedro e os demais Apóstolos?
Temos levados os membros de nossas congregações  a tomarem consciência  de que o famoso Poder das Chaves é conferido ao consenso congregacional em Cristo, incorporando não só os membros do clero, mas sim a Congregação reunida em nome de Jesus Cristo, contendo esta os fiéis crentes e seus ministros?
Temos levados os membros de nossas congregações a se refletirem sobre conduta pessoal pautado nos ensinamentos de Cristo propostos nos Evangelhos? Nas Cartas Apostólicas? Ou na Bíblia por inteiro?
Nossos crentes fiéis conhecem nossos ensinamentos práticos propostos no Catecismo Elementar, já disponíveis a todos pelos meios da internete?
Temos formados grupos de reflexões sobre as proposituras de nossa denominação, no sentido de uma pastoral consciente? Ou temos nos valido das crenças e devoções populares, mesmo que elas sejam em flagrante desobediência aos Mandamentos da Lei de Deus? Temos tirado proveito dessas situações em beneficio pessoal, ou temos nos comportado como Ministros da Palavra de Deus, ensinando o que Jesus Cristo propôs e é objetivo da ICAI-TS?
Nossas comunidades eclesiais conhecem as Normas Canônicas da ICAI-TS, através do nosso minitério pastoral, como é do nosso dever fazê-lo?
Nossas Comunidades Eclesiais conhecem as diferentes formas devocionais e de apostolados existentes em nosso passado, propostos pelos nossos Veneráveis Bispos e ainda de grande significância espiritual junto aos fiéis crentes?
Temos nós Ministros e Clérigos estudado e refletido sobre nossas fontes primárias para fortalecer nossa Idiodoxia Denominacional?

Como vemos do acima exposto, nesse tempo de catartério penitencial que a Liturgia nos propõe, precisamos acertar os nossos passos na trilha que nos é indicada e que escolhemos e aceitamos como Família Espiritual legítima dentro da Igreja de Cristo.  A ICAI-TS constitui uma legítima Família Espiritual, podendo dela partilhar os legítimos discípulos de Cristo. Ela tem sido o meu sustentáculo em tempos difíceis. Nela pude partilhar de momentos abençoados convivendo com os irmãos na era do Venerável Salomão Ferraz pré-romano, quando havia uma comunidade de adoradores do Deus Vivo, real, atuante, vivamente presente. Infelizmente isso não aconteceu na era do Venerável Salomão pró-romano. Essa foi uma época de apagamento das ações pastorais, de desilusão espiritual, de martírio pessoal. Graças a Deus que o Venerável Bispo Salomão Ferraz obedeceu aos impulso do Espírito Santo e convocou-nos a dar continuidade ao Movimento Espiritual inicial.
Com o Venerável Bispo Manoel Ceia Laranjeira mantivemos acesa a chama de fé do Catolicismo Evangélico Salomonita, não com a pureza do zêlo pastoral salomoniano, pois a influência do catolicismo brasileiro e romano de feitio populares se infiltraram em nosso meio. Foi graças ao catolicismo folclórico popular que sobreviveu a verve do Bispo Lapércio Eudes Moreira, com resíduos ainda hoje nos trazendo divisão e desgosto.
Mas não podemos desanimar, pois que o nosso compromisso é com Jesus Cristo, o Chefe da Igreja. Não temos compromisso com os aspectos prostituídos que penetraram na  Igreja Tradicional:
 não às heranças de hegemonia política; não às heranças de traços nobiliárquicos; não às heranças de privilégios legais; não às heranças de afirmação pessoal, através de poderes imperiais plenipotenciários; não às heranças de clausuras invioláveis para acobertamento de falcatruas e insanidades.
Mas sim com  o Cristo de Deus, o Chefe da Igreja, o Supremo Mestre e Pastor:
sim para a conversão pessoal perene ao Evangelho Salvador do Cristo;
sim para a reforma íntima, buscando as orientações do Evangelho e o modelo de Jesus Cristo para a vida pessoal; sim para a vida de orações, reflexões, meditações e práticas espirituais na busca da regeneração que Cristo oferece mediante o Espírito Santo de Deus; sim para o estudo e pregação da Palavra de Deus, na assistência aos novos convertidos, na ministração dos Sacramentos e Ordenanças Cristãs para o fortalecimento da Igreja Espiritual; sim para o trabalho missionário da Igreja, através dos Ensinamentos Didáticos, das Pregações Solenes sobre o Reino de Deus e  do Testemunho Pessoal; sim  para a Expansão da Igreja de Cristo, valorizando a Igreja Local, mas com a formação de Células Cristãs nas casas dos irmãos, como era no princípio do cristianismo e como oportuniza as Confrarias, as Congregações, os Apostolados, ou outras formas,  que sustenta uma Igreja Viva, geração da adoradores do Deus Vivo  que está presente em qualquer lugar - (e não de formas coisificadas, aprisionadas, transformadas em ídolos, subvertendo a Revelação Cristã) - e que embora tenham suas reuniões nas casas uma vez por semana, estão presentes nos templos da Igreja Local aos domingos para a adoração e a comunhão entre Deus e os Irmão em Cristo como Povo de Deus que caminha.

Lembrem-se os irmãos que a Verdadeira Igreja de Cristo se manifesta em uma tríplice dimensão:
a dimensão Mistério Divino, construída pelo próprio Cristo no coração do crente fiel mediante a firme confissão  de que Jesus Cristo é o Filho do Deus Vivo, conforme afirmou Cristo por ocasião da solene confissão efetuada por Simão Pedro e os demais Apóstolos reunidos com ele. É esta dimensão da Igreja Mistério Divino que garante ao crente fiel a vitória sobre todas as artimanhas do inferno;
a dimensão Congregacional quando reunem os crentes fiéis em comunidades, que se organizam em nome de Jesus Cristo, para adorar  e celebrar a Comunhão com Deus e os Irmãos em Cristo enquanto Povo de Deus. Nesta comunidade se reune a Igreja Local através dos crentes fiéis, Ministros e Clérigos (Diáconos, Diaconisas, Presbíteros e Bispos), para louvar e adorar a Deus e em nome de Cristo pedir favores e buscar consenso sobre as coisas espirituais e materiais. Foi à Igreja nessa segunda dimensão que Jesus Cristo prometeu o Poder das Chaves para ligar e desligar na terra e nos céus. É preciso muito discernimento e muita responsabilidade para o exercício desse Poder;
a dimensão Sociocultural e Jurídica, a Igreja Institucional, que se organiza  conforme o ordenamento jurídico das diferentes nações, para dizer a que veio e oferecer condições para que as outras dimensões da Igreja  existam e progridam pelo mundo, em cumprimento ao comissionamento de Jesus Cristo e suas ordenanças nos Evangelhos. É a esta dimensão Institucional que se confere um nome específico, como uma Denominação, responsável por um carisma especial, por uma Idiodoxia específica enquanto Família Espiritual dentro da Igreja Cristã, como a nossa Igreja Católica Apostólica Independente de Tradição Salomoniana ICAI-TS.
Infelizmente através da história tem se dado maior valor as dimensões institucionais da Igreja de Cristo, tem havido uma inversão da ordem de prioridades, pois o mais importante é a dimensão Mistério Divino,  que levará consequentemente a dimensão Congregacional. Poderá até não haver a dimensão Institucional, como ocorre em períodos de perseguições. Entretanto a Igreja de Cristo sobrevive. Jesus Cristo quis compartilhar esse poder com os humanos, mas infelizmente não temos sabido lidar com ele adequadamente. Temos transformado a Igreja de Cristo dos seus três aspectos em um reducionismo de Igreja Institucional apenas, como patrimônio pessoal dos nossos caprichos, prostituídas com as nossas diferentes conveniências.

É época de ajustamento!   É época de conversão!   É época de reforma íntima!
Estamos vivendo o Tempo do Catartério Espiritual em nosso próprio litúrgico!   Assim assinala o nosso Hemerológio Cristão!
São sete semanas para a nossa reconstrução, nos preparando para entronizar o Cristo como Senhor da História da nossa Vida Pessoal, quando então vamos saudá-lo com os ramos verdes, cantando-lhe Hosanas no domingo dos ramos, pois este simbolismo nos mostra com evidência, que os ramos só sustentam o seu verdor se estiverem ligados ao Tronco que é Jesus Cristo, pois desligados de Cristo seremos folhas secas que queimadas se transformarão em cinzas.

Aproveitemos meus irmãos!   É tempo de salvação!
Se alguém está com Cristo nova creatura é, as coisas velhas já passaram e o novo ser  à imagem de Jesus Cristo sobressai.

Avante!  Coragem! Se Cristo é por nós, quem será contra nós?
Tenhamos confiança em Jesus Cristo e lealdade aos nossos compromissos de religiosos, pois Ele venceu o mundo, o pecado e a morte. Gória a Deus!  Aleluia!
Que o nosso Bondoso Deus nos abençôe ricamente.

Dom Felismar Manoel – Bispo Primaz
ICAI-TS – Duque de Caxias RJ
Em  08/03/2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Fé Salomoniana (Parte I)

Meus irmãos,


A universalidade do Evangelho de Cristo desde o seu anuncio primeiro tem despertado na humanidade situações de controversias tais que bem fazeis lembrar a palavra do Próprio Jesus atestando quanto ao entendimento de seus ensinamentos em: "João 8,37-38", assim sendo ao corrente dos séculos eles ouviram falar de Jesus e dos seus ensinamentos, o entenderam cada qual de acordo com sua cultura, conhecimento e sabedoria espiritual. Ainda hoje, e mais ainda nesse nosso tempo, verificamos quanto se tem interpretado de tudo o que foi dito acerca Dele e da verdade por Ele revelada.
A historia do Catolicismo Independente data do sonho de muitos que nos antecederam e o imaginaram como verdadeiro caminho de libertação para os oprimidos.
Conta a história da vida de nosso amado antercessor e formulador do pensamento Católico Livre, Dom Salomão Ferraz de tão saudosa memoria, que ele na florecência de sua juventude já receberá do Espírito Santo os influxos para abrir seus horizontes à busca de um caminho mais celere para a expansão do Reino de Deus. Seu pensamento de buscar "unidade na diversidade",
consoante o ensinamento do próprio Cristo, na palavra de Paulo Apostolo faz com que se distingam essa luta por levar aos homens de Boa Vontade a doutrina do "Ecumenismo" enfoque maior do pensamento de união entre os que professam Jesus Cristo como Salvador destruindo assim os grilhões das amarras das sutilezas doutrinaria que tanto mal fazem a humanidade impedindo que irmãos possam dar-se as mãos e caminhar unidos a estrada que leva a salvação.
Para esse entendimento é que remanescentes do pastoreio de dom Manoel Ceia Laranjeira, seguindo a orientação de nosso irmão Arcebispo Dom Felismar Manoel estão revivendo os dias da Igreja Livre comprometidos com os mesmos postulados que fizeram o 1º Congressso Católico Livre que afinal fundamentou os postulados básicos da Fé Salomoniana a qual reconhece o Evangelho do Cristo como revelação ultima de Deus aos homens e compromete-se mesmo com o preço da própria vida, com o Livre Espirito da Fé e seguimento dos ensinamentos do Divino Mestre Jesus nosso amado Salvador
Preservar a Tradição dos pensamento Salomônicos é antes de tudo é defender a base do ensinamento Cristão que a todos e aos séculos.
Que Deus os ilumine.

CONTINUA...
Dom Augusto

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O QUE É O DIZIMO??


DÍZIMOS


“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós bênção sem medida.”
Ml 3.10, 11 e 12

O Dízimo foi instituído por Deus a Seus amados. As primeiras citações referem-se ao período patriarcal, a Palavra mostra-nos Abrão (“E de tudo lhe deu Abrão o dízimo.” Gn 14.20) e Jacó (“e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo.” Gn 28.22) como observadores desta prática. Posteriormente, com a Eleição de Israel como povo de Deus, tornou-se um mandamento. O dízimo era uma prática comum antes da Lei, durante a Lei e mandamento aos que vivem após a Lei.

O Novo Testamento deixa claro que o Senhor Jesus reconhecia o dízimo como um mandamento válido aos Israelitas, inclusive, era judeu e nascido sob a Lei ("Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei," Gl 4.4), com a missão de cumpri-la ("Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra." Mt 5.17,18).

Jesus não determinou de forma direta a obrigatoriedade em dar-se “os dízimos” aos participantes da Nova Aliança, no entanto, este costume é citado algumas vezes no Novo Testamento, levando-nos a entender que é uma bênção que se estende aos Cristãos.

O DÍZIMO NA BÍBLIA

a) Abraão dizimou:
"E de tudo lhe deu Abrão o dízimo." Gn 14.20
Abraão ao regressar da vitória sobre os reis inimigos, deu a Melquisedeque, sacerdote de Deus e rei de Salém, o dízimo de tudo que possuía e despojos da vitória.

b) Jacó movido a dar o dízimo:
"...de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo." Gn 28.22

c) Na Lei Mosaica.
"A décima parte das colheitas, tanto dos cereais como das frutas, pertence a Deus, o SENHOR, e será dada a ele." Lv 27.30 e
"Certamente, darás os dízimos de todo o fruto das tuas sementes, que ano após ano se recolher do campo." Dt 14.22

O OBJETIVO DO DÍZIMO

O objetivo principal é para que “haja sustento na casa de Deus”. Deve-se entregá-lo no local definido por Deus, geralmente, a Igreja na qual congregamos e ou Ministérios envolvidos com a Obra do Pai. O uso dos montantes advindos do dízimo deverá usado exclusivamente para a manutenção das despesas ministeriais, e nos canais usados para a pregação do Santo Evangelho.

É lamentável a constatação que o “dinheiro do Senhor” é usado por alguns líderes para a sua satisfação pessoal, bem como, aplicado em “situações” que não beneficiam a Obra do Senhor. Estes prestarão contas a Deus por suas ações pecaminosas.

O DÍZIMO NO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento não faz profundas referências a respeito do tema, mas, movidos pelo Espírito Santo, compreendemos que é bom e agradável dizimarmos a Deus.

Paulo, dirigindo-se às igrejas ensina que deveriam fazer coletas, nas quais os servos dariam segundo a sua prosperidade ("Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for." 1Co 16.1-2).

É uma ação de amor, generosidade e alegria ("E isto afirmo: aquele que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre." 2Co 9.6-9).

As ofertas eram segundo as posses da cada um. Este é o mesmo entendimento para o dízimo hoje, uma doação à igreja de ofertas agradáveis, que devem ser usadas na manutenção do templo, missões e no auxilio aos irmãos mais carentes, ligados ou não à denominação, afinal, no Reino não há denominações.

É inaceitável que as igrejas (instituições) guardem o dinheiro do Senhor (poupança e aplicações diversas) enquanto há tantos irmãos, frentes missionárias, ministérios, etc. necessitados recursos financeiro para a pregação do evangelho.

Usa-se como parâmetro, no mínimo, a décima parte dos teus vencimentos, no entanto, não é uma obrigação usar a calculadora, dê com liberalidade.

Em nossos dias, este mandamento está desgastado, é visto pela sociedade como um meio de explorar a fé dos mais simples. Esta visão deturpada nasceu em decorrência dos exageros práticados pelos pregadores que não observam os princípios de Deus em suas vidas, e literalmente, roubam os servos ao fazerem promessas mirabolantes de riquezas e prosperidades advindas da entrega do dízimo.

O Apostolo Paulo, escreveu uma carta à igreja de Corinto, na qual diz:
“O homem natural não aceita as cousas do Espírito... pois lhe é loucura; e jamais pode entendê-las.” 1Co 2.14

O dízimo é uma bênção àqueles que nasceram de novo e são movidos pelo Espírito de Deus em todas as situações. O homem natural (em pecado) não entende estas coisas e são tomados por questionamentos diversos, usando-os como base, não aceitam o mandamento que orienta-nos a reservar partes dos rendimentos para o Senhor e disponibilizá-los na forma de dízimos e ofertas.

Inclusive é comum ao “homem natural” questionamentos tais como:
. Deus não precisa de dinheiro!
. Deus é dono de tudo!
. Não vou encher a barriga de pastor!
. Ganho pouco, e sou pobre!
. Não sobra para o dízimo!
. Tenho escola das crianças, e muitas despesas!
. Isto é para os ricos!
. etc.

São homens que ainda não entregaram verdadeiramente suas vidas nas mãos do Senhor, são “naturais” e não conseguem enxergar com os olhos do Espírito a vontade de Deus para a vida de seus escolhidos.

Jesus literalmente afirma: “ Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo.” Lc 14.33

Esta é a principal condição exigida aos servos, a renúncia. Quando renunciamos a princípios, pensamentos, finanças, conhecimento, sabedoria e até a razão; nos tornamos “barro na mão do Oleiro” e somos reconstruídos com as qualidades comuns a Cristo. Estas “novas criaturas” são tomadas pelo Espírito Santo e as “coisas espirituais” afloram em atos e ações.

DÍZIMOS NOS DIAS CONTEMPORÂNEOS

É sábio devolvermos a Deus os dízimos e ou ofertas, observando os preceitos bíblicos, e tomados por uma verdadeira voluntariedade. É dar com prazer, com alegria.

Dar Voluntariamente
"...vossas dádivas, e de todos os vossos votos, e de todas as vossas ofertas voluntárias que dareis ao SENHOR." Lv 23.38

O dizimar era uma obrigação de cada israelita, mas, o desejo de ofertar deveria nascer no interior do coração, marcado por gratidão e alegria, uma ação voluntária, através da qual o Eterno era adorado. Assim devemos agir, não constrangidos por uma obrigação, mas, com prazer e alegria, pois é do Senhor e é para o Senhor.

Vida Santa, uma condição
"Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta." Mt 5.23,24

A Santidade é uma condição especial, ela gera comunhão e intimidade com o Pai. Antes de trazermos as nossas ofertas ao Senhor, é necessário fazermos um "balanço" e confessarmos pecados e acertarmos todas situações que destoam da vontade de Deus.

Uma Gratidão.
"Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo; invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás." Sl 50.14,15

As ações, dizimar e ofertar é uma demonstração que reconhecemos a soberania de Deus e o cuidado que Ele tem para conosco, abençoando-nos no cotidiano em todos os aspectos de nossa existência.

OS FIÉIS SÃO ABENÇOADOS

Quando os servos movidos pelo amor a Deus entregam os dízimos com alegria, tornam-se detentores da promessa de Deus. Ele afirma: “...e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós bênção sem medida.”

a) Derramarei Bênçãos sem Medidas.
É preciso que a nossa visão, inicialmente seja espiritual, esta é a visão que verdadeiramente nos interessa. Não devemos dizimar interessados em recompensas materiais. O sentimento que deve nos mover a entregar os dízimos é o amor a Deus. E o Eterno em sua misericórdia recompensará, não necessariamente com prosperidade, mas, possivelmente com a melhor das bênçãos a espiritual e a possibilidade de fazer a Sua Obra.
Lembre-se:
"Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo." Lc 14.33

b) Vossa vide não será estéril.
Existe a benção de prosperidade prometida aos fieis. Deve-se esperá-la, jamais buscá-la. Pois há tempo para todas as coisas, e o Senhor conhece as necessidades de cada um. A preocupação deve estar em conservar uma vida santa, reta e justa diante de Deus.

c) As Nações vos chamarão de felizes.
Como é bom encontrar um servo fiel, sempre feliz, um rosto formoso que resplandece a paz de Cristo, mesmo em meio às muitas lutas e dificuldades. São estes os fieis do Senhor, que triunfam e voam como águias (Is 40.31) acima de todas as dificuldades. São agraciados com o derramar de bênçãos sem medidas.

d) Para que haja mantimento.
Quando há fidelidade nos dízimos, a Casa do Senhor é agraciada com recursos que serão usados na pregação do Evangelho, abençoando missões, ministérios e também, o social, vestindo aos irmãos necessitados.

Deus é fiel, honra a Suas promessas; nossa obrigação é sermos fieis, honrarmos ao Eterno em todas as áreas da vida, quando O honramos com os dízimos e ofertas tornamo-nos mais próximos do Pai e somos habilitados a recebermos as bênçãos divinas.

Sedes fieis ao Senhor nos Dízimos e Ofertas e verão a sua glória.

do site:

Reino de Deus...


Anúncio do Reino de Deus

"Depois que João foi preso, Jesus veio para a Galiléia proclamando, nestes termos, o Evangelho de Deus: "Cumpriu-se O tempo e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho"' (Mc 1,14-15). "Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou o Reino dos céus na terra." Ora, a vontade do Pai é "elevar os homens à participação da Vida Divina". Realiza tal intento reunindo os homens em torno de seu Filho, Jesus Cristo. Esta reunião é a Igreja, que é na terra "O germe e o começo do Reino de Deus"

Cristo está no centro do congraçamento dos homens na "família de Deus". Convoca-os junto a si por sua palavra, por seus sinais que manifestam o reino de Deus, pelo envio de seus discípulos. Realizar a vinda de seu Reino sobretudo pelo grande mistério de sua Páscoa: sua morte na Cruz e sua Ressurreição. "E eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim" (Jo 12,32). A esta união com Cristo são chamados todos os homens.

Todos os homens são chamados a entrar no Reino. Anunciado primeiro aos filhos de Israel, este Reino messiânico está destinado a acolher os homens de todas as nações. Para ter acesso a ele, é preciso acolher a palavra de Jesus:

Pois a palavra do Senhor é comparada à semente semeada no campo: os que a ouvem com fé e são contados no número da pequena grei de Cristo receberam o próprio Reino; depois, por sua própria força, a semente germina e cresce até o tempo da messe.

O Reino pertence aos pobres e aos pequenos, isto é, aos que o acolheram com um coração humilde. Jesus é enviado para "evangelizar os pobres" (Lc 4,18). Declara-os bem-aventurados, pois "o Reino dos Céus é deles" (Mt 5,3); foi aos "pequenos" que o Pai se dignou revelar o que permanece escondido aos sábios e aos entendidos. Jesus compartilha a vida dos pobres desde a manjedoura até a cruz; conhece a fome, a sede e a indigência. Mais ainda: identifica-se com os pobres de todos os tipos e faz do amor ativo para com eles a condição para se entrar em seu Reino.

Jesus convida os pecadores à mesa do Reino: "Não vim chamar justos, mas pecadores" (Mc 2,17). Convida-os à conversão, sem a qual não se pode entrar no Reino, mas mostrando-lhes, com palavras e atos, a misericórdia sem limites do Pai por eles e a imensa "alegria no céu por um único pecador que se arrepende" (Lc 15,7). A prova suprema deste amor ser o sacrifício de sua própria vida "em remissão dos pecados" (Mt 26.28).

Jesus convida a entrar no Reino por meio das parábolas, traço típico de seu ensinamento. Por elas, convida ao festim do Reino, mas exige também uma opção radical: para adquirir o Reino é preciso dar tudo; as palavras não bastam, são necessários atos As parábolas são como espelhos para o homem: este acolhe a palavra como um solo duro ou como uma terra boa? Que faz ele dos talentos recebidos? Jesus e a presença do Reino neste mundo estão secretamente no coração das parábolas. E preciso entrar no Reino, isto é, tomar-se discípulos de Cristo para "conhecer os mistérios do Reino dos Céus" (Mt 13,11). Para os que ficam "de fora" (Mc 4,11), tudo permanece enigmático

Catecismo da Igreja Católica

Tentação de Jesus


Tentações de Jesus

Os Evangelhos falam de um tempo de solidão de Jesus no deserto, imediatamente após seu Batismo por João: "Levado pelo Espírito" ao deserto, Jesus ali fica quarenta dias sem comer, vive com os animais selvagens e os anjos o servem. No final dessa permanência, Satanás o tenta por três vezes procurando questionar sua atitude filial para com Deus. Jesus rechaça esses ataques que recapitulam as tentações de Adão no Paraíso e de Israel no deserto, e o Diabo afasta-se dele "até o tempo oportuno" (Lc 4,13).

Os evangelistas assinalam o sentido salvífico desse acontecimento misterioso. Jesus é o novo Adão, que ficou fiel onde o primeiro sucumbiu à tentação. Jesus cumpre à perfeição a vocação de Israel: contrariamente aos que provocai outrora a Deus durante quarenta anos no deserto, Cristo se revela como o Servo de Deus totalmente obediente à vontade divina. Nisso Jesus é vencedor do Diabo: ele "amarrou o homem forte" para retomar-lhe a presa. A vitória de Jesus sobre o tentador no deserto antecipa a vitória da Paixão, obediência suprema de seu amor filial ao Pai.

A tentação de Jesus manifesta a maneira que o Filho de Deus tem de ser Messias o oposto da que lhe propõe Satanás e que os homens desejam atribuir-lhe. E por isso que Cristão venceu o Tentador por nós: "Pois não temos um sumo sacerdote incapaz de compadecer-se de nossas fraquezas, pois Ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado" (Hb 4,15). A Igreja se une a cada ano, mediante os quarenta dias da Grande Quaresma, ao mistério de Jesus no deserto.

A tentação no deserto mostra Jesus, Messias humilde que triunfa sobre Satanás por sua total adesão ao desígnio de salvação querido pelo Pai.

Tentações na oração

DIANTE DAS TENTAÇÕES NA ORAÇÃO A tentação mais comum, mais oculta, é nossa falta de fé, que se exprime não tanto por uma incredulidade declarada quanto por uma opção de fato. Quando começamos a orar, mil trabalhos ou cuidados, julgados urgentes, apresentam-se como prioritários; de novo, é o momento da verdade do coração e de seu amor preferencial. Com efeito, voltamo-nos para o Senhor como o último recurso: mas de fato acreditamos nisso? As vezes tomamos o Senhor como aliado, mas o coração ainda está na presunção. Em todos os casos, nossa falta de fé revela que não estamos ainda na disposição do coração humilde: "Sem mim, nada podeis fazer" (Jo 15,5).

Outra tentação, cuja porta é aberta pela presunção, é a acídia (chamada também "preguiça"). Os Padres espirituais entendem esta palavra como uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligência do coração. "O espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt 26,). Quanto mais alto se sobe, tanto maior a queda. O desânimo doloroso é o inverso da presunção. Quem é humilde não se surpreende com sua miséria Passa então a ter mais confiança, a perseverar na constância.

No combate da oração devemos enfrentar concepções errôneas, diversas correntes de mentalidade, a experiência de nossos fracassos. A essas tentações que lançam dúvida sobre a utilidade ou a própria possibilidade da oração convém responder pela humildade, confiança e perseverança.

Duas tentações freqüentes ameaçam a oração: a falta de fé e a acídia, que é uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, que leva ao desânimo.

Catecismo da Igreja Católica

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Batismo de Jesus


 A vida pública de Jesus tem início com seu Batismo por João no rio Jordão. João Batista proclamava "um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados" (Lc 3,3). Uma multidão de pecadores, de publicanos e soldados, fariseus e saduceus e prostitutas vem fazer-se batizar por ele. Jesus aparece, o Batista hesita, mas Jesus insiste. E Ele recebe o Batismo. Então o Espírito Santo, sob forma de pomba, vem sobre Jesus, e a voz do céu proclama: "Este é o meu Filho bem-amado" (Mt 3,13-17). É a manifestação ("Epifania") de Jesus como Messias de Israel e Filho de Deus.
O Batismo de Jesus é, da parte dele, a aceitação e a inauguração de sua missão de Servo sofredor. Deixa-se contar entre os pecadores; é, já, "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29), antecipa já o "Batismo" de sua morte sangrenta. Vem, já, "cumprir toda a justiça" (Mt 3,15), ou seja, submete-se por inteiro à vontade de seu Pai: aceita por amor este batismo de morte para a remissão de nossos pecados. A esta aceitação responde a voz do Pai, que coloca toda a sua complacência em seu Filho. O Espírito que Jesus possui em plenitude desde a sua concepção vem "repousar" sobre Ele. Jesus ser a fonte do Espírito para toda a humanidade. No Batismo de Jesus, "abriram-se os Céus" (Mt 3,16) que o pecado de Adão havia fechado; e as águas são santificadas pela descida de Jesus e do Espírito, prelúdio da nova criação.
Pelo Batismo, o cristão é sacramentalmente assimilado a Jesus, que antecipa em seu Batismo a sua Morte e a sua Ressurreição; deve entrar neste mistério de rebaixamento humilde e de arrependimento, descer à água com Jesus para subir novamente com ele, renascer da água e do Espírito para tornar-se, no Filho, filho bem-amado do Pai e "viver em uma vida nova" (Rm 6,4):
Sepultemo-nos com Cristo pelo Batismo, para ressuscitar com Ele; desçamos com Ele, para ser elevados com Ele; subamos novamente com Ele, para ser glorificados nele.
Tudo o que aconteceu com Cristo dá-nos a conhecer que, depois da imersão na água, o Espírito Santo voa sobre nós do alto do Céu e que, adotados pela Voz do Pai, nos tornamos filhos de Deus.
 No limiar da vida pública, o Batismo; no limiar da Páscoa, a Transfiguração. Pelo Batismo de Jesus "declaratum fuit mysterium primae regenerationis - foi manifestado o mistério da primeira regeneração": o nosso Batismo; a Transfiguração "est sacramentum secundae regenerationis - é o sacramento da segunda regeneração": a nossa própria ressurreição. Desde já participamos da Ressurreição do Senhor pelo Espírito Santo que age nos sacramentos do Corpo de Cristo A Transfiguração dá-nos um antegozo da vinda gloriosa do Cristo, "que transfigurar nosso corpo humilhado, conformando-o ao seu corpo glorioso" (Fl 3,21). Mas ela nos lembra também "que é preciso passarmos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus" (At 14,22):
Pedro ainda não tinha compreendido isso ao desejar viver com Cristo sobre a montanha. Ele reservou-te isto, Pedro, para depois da morte. Mas agora Ele mesmo diz: Desce para sofrer na terra, para servir na terra, para ser desprezado, crucificado na terra. A Vida desce para fazer-se matar; o Pão desce para ter fome; o Caminho desce para cansar-se da caminhada; a Fonte desce para ter sede; e tu recusas Sofrer?
 Desde o início de sua vida pública, em seu Batismo, Jesus é o "Servo", inteiramente consagrado à obra redentora que se realizará pelo "Batismo" de sua paixão.
 Depois de ter aceitado dar-lhe o Batismo junto com os pecadores, João Batista viu e mostrou em Jesus o "Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo". Manifesta, assim que Jesus é ao mesmo tempo o Servo Sofredor que se deixa levar silencioso ao matadouro e carrega o pecado das multidões e o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel por ocasião da primeira Páscoa Toda a vida de Cristo exprime sua missão: "Servir e dar sua vida em resgate por muitos".
 A pomba. No fim do dilúvio (cujo simbolismo está ligado ao batismo), a pomba solta por Noé volta com um ramo novo de oliveira no bico, sinal de que a terra é de novo habitável. Quando Cristo volta a subir da água de seu batismo, o Espírito Santo, em forma de uma pomba, desce sobre Ele e sobre Ele permanece. O Espírito desce e repousa no coração purificado dos batizados. Em certas igrejas, a santa Reserva eucarística é conservada em um recipiente metálico em forma de pomba (o columbarium) suspenso acima do altar. O símbolo da pomba para sugerir o Espírito Santo é tradicional na iconografia cristã.
 Todas as prefigurações da antiga aliança encontram sua realização em Cristo Jesus. Ele começa sua vida pública depois de ter-se feito batizar por São João Batista no Jordão, e após sua ressurreição confere esta missão aos apóstolos: "Ide, pois, fazei que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei" (Mt 28,19-20).
 Nosso Senhor submeteu-se voluntariamente ao Batismo de São João, destinado aos pecadores, para "cumprir toda a justiça (Cf Mt 3,15)". Este gesto de Jesus é uma manifestação de seu "aniquilamento". O Espírito que pairava sobre as águas da primeira criação desce então sobre Cristo, preludiando a nova criação, e o Pai manifesta Jesus como seu "filho amado".
 Foi em sua Páscoa que Cristo abriu a todos os homens as fontes do Batismo. Com efeito, já tinha falado da paixão que iria sofrer em Jerusalém como de um "batismo" com o qual devia ser batizado. O sangue e a água que escorreram do lado traspassado de Jesus crucificado são tipos do Batismo e da Eucaristia, sacramentos da vida nova: desde então é possível "nascer da água e do Espírito" para entrar no Reino de Deus (Jo 3,5).
Vê, quando és batizado, donde vem o Batismo, se não da cruz de Cristo, da morte de Cristo. Lá está todo o mistério: ele sofreu por ti. E nele que és redimido, é nele que és salvo e, por tua vez, te tornas salvador.
 No Antigo Testamento os profetas anunciaram que o Espírito do Senhor repousaria sobre o Messias esperado em vista de sua missão salvífica. A descida do Espírito Santo sobre Jesus por ocasião de seu Batismo por João Batista foi o sinal de que era Ele quem devia vir, que Ele era o Messias; o Filho de Deus. Concebido do Espírito Santo, toda a sua vida e toda a sua missão se realizam em uma comunhão total com o mesmo Espírito, que o Pai lhe dá "sem medida" (Jo 3,34).

Extraido do Catecismo da Igreja Católica